sábado, 3 de março de 2012

[RESENHA] A Arte da Invisibilidade Vol. 1 – Allan Pitz




Este é um livro curto, introdutório, daqueles que servem para te preparar. Acredito que o “volume 01” estampado na capa quer dizer que virão “outros devaneios do Pitz”. E quando falo de devaneio, não é de forma pejorativa. Ele viaja na batatinha sim, mas tudo faz sentido, por mais engraçado que muitas vezes sejam as coisas que ele escreve.

Este livro te introduz a Arte da Invisibilidade, que em minhas palavras (segundo entendi Pitz), é uma técnica que te faz enxergar a “unidade” e então poder entrar e sair dela quando bem entender. Entenda "unidade" como a “força mágica” que faz com que nós não passemos de bois e vacas numa manada de 7 bilhões de cabeças andando não se sabe pra onde, vivendo são se sabe pra quê. Só que nesta manada existem grupos menores, os “cachos”. E para se participar deles os bovinos (nós) precisamos agir (ou vestir, ou ter, ou falar) de determinada maneira. Precisamos de algum artifício para nos manter visíveis e nos padrões do cacho, para que não nos excluam (hello bullying). Então dando um exemplo menos metafórico, é quando sua irmã mais nova quer comprar o tênis da Barbie porquê todas as amiguinhas dela têm. Ou quando mesmo você, troca de celular por um mais moderno para que o pessoal do escritório pare de te chamar de dinossauro. 

"A uva sempre será a uva, o que interessa é saber em que cacho ela está, agora, e como as outras uvas dessa unidade espera que ela as ajude a compor a unidade de integração do cacho, e a manutenção de seus valores, para defesa da proposta maior: ser o melhor cacho da videira." P. 26

Entenderam até agora? A “unidade” quer nos manter numa rotina louca de cada um querer ser mais visível que o outro, mas sem enxergarem o que estão fazendo. Um consumismo louco e desenfreado que todo mundo entra para a manada, sabe que está andando, mas não sabe pra onde. Levam manadas e mais manadas para o abismo; manadas são insumos para alimentar cada vez mais a unidade (e os poucos que fazem parte dela). Pobre no Brasil ganha 600 reais, paga 350 reais numa bermuda de marca, divide em parcelas a sumir de vista. Com a bermuda cara ele se sente pertencente (mesmo que apenas psicologicamente) a um grupo social que ele não faz parte. E assim ele segue com a vida dele, comprando o que não pode pagar e continua tendo um sub-emprego que faz com que o grande empresário chefe dele, continue onde está. E a tal bermuda é que o faz continuar a ser o motoboy, o cara que mora na favela, o excluído, o que nunca vai ser ninguém, o que só vai servir pra consolidar os ricos lá em cima, e os iguais a ele lá em baixo. Porque o cara não usou a “arte da invisibilidade” para parar de querer ser visível para o cacho que está inserido, e ver que aquilo ali não vai levar ele a nada.

Ser invisível nesse livro é, mesmo vivendo dentro da unidade – pois isso é impossível deixar de se fazer, você entender o todo. Assimilar aonde a manada está indo. Ter controle de si e não ser controlado pela força do cacho, pela força discriminadora do todo.

-"Bom dia, senhor! Como vai Vossa Excelência?"
- "Vossa Excelência é o cacete! Vossa Excelência é um frango depenado! Eu quero saber do sol, das estrelas, do centro da terra, das profundezas, dos oceanos, das estrelas que correm ligeiras depois de estarem paradas! Questionem as vossas excelências do mundo sobre as coisas que nos são devidas como seres humanos pensantes! Ou não são excelências de nada, oras!" P.22

Livro fácil de ler, muitas vezes viajado, mas engraçado, fininho e amigável. Te deixa com gostinho de quero mais. Muitos assuntos são só citados (Illuminatis, UFOs, etc.) e você fica esperando outros volumes do livro com mais detalhes, com mais questionamentos. Pois ao ler A ARTE DA INVISIBILIDADE, você não sai CONHECEDOR, você sai QUESTIONADOR. E isso é bom, pois não te tolhe, te dá asas.

Grande dica para os curiosos.

A propósito, já viram meu blog? HTTP://oestranhocurioso.blogspot.com ;-)

PS 1: A super imagem do início do post eu achei aqui no LITERATURA DE CABEÇA. Achei lindíssima! Ficam aqui os devidos créditos.

PS 2: Allan Pitz tem Facebook. Não sei se é ele de verdade que utiliza, ou alguém da editora. Mas... Vale a pena testar seguir ele. ;-)
PS 3: Se tudo der certo, em breve no PALAVRAS PROLÍFERAS, entrevista com Allan Pitz!

Aldrêycka Albuquerque

5 comentários:

  1. Hm... muito interessante.
    Um livro bem reflexivo. Gostei!

    Ah, gostei da resenha também. Ficou ótima.

    Abraços

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  2. Adorei, achei muito interessante, faz tempo que não via uma estória com essa temática, é bem... diferente.

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  3. Gostei da indicação, nunca tinha ouvido falar desse livro e de nenhum parecido. Parece ser bem legal. Ótima resenha, muito boa!!

    Abraços...

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  4. Interessante... nunca tinha ouvido falar do livro, e aborda uma temática nova e interessante *-*

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  5. Cada vez com mais vontade de ler o livro..

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