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terça-feira, 23 de maio de 2017

Resenha: Segunda Natureza, Nora Roberts


Sinopse:
O magnetismo de Lee Radcliff é o suficiente para fazer com que Hunter Brown abra mão de uma vida excêntrica e reclusa para passar duas semanas acampando com ela. Na verdade, Lee deseja apenas uma entrevista com Hunter, um célebre escritor de romances de terror. Entretanto, após conhece-l o como homem, ela terá de optar entre publicar uma matéria exclusiva...

O livro foi sorteado da minha grande e imensa pilha (TBR) de livros para ler, e confesso que foi uma boa leitura de um livro comprado há dois anos.

Novamente a narrativa da Nora é envolvente, previsível e bem tórrida. Como o livro é de 1985, durante a leitura notamos a falta da modernidade do século 21, mas não desmerece a trama, levando em conta o ano que foi publicado. A leitura foi bem fluida, a autora colocou um dos protagonistas com um passado bem recluso, instigando o leitor querer saber mais, avançando na leitura. Este mesmo personagem recluso é escritor e a protagonista é leitora que também escreve e no decorrer da trama temos citações de livros e autores importantes, que torna a leitura mais agradável.
Hunter Brown é um personagem bem enigmático e misterioso, o clichê que eu e muitos leitores amamos, e aos poucos vamos conhecendo-o e compreendemos as razões dele viver desta maneira reservada.
Lee Radcliff, é a “pobre moça rica” que quer conquistar seu valor e posição as próprias custas, sem ser privilegiada pelo dinheiro ou nome da família. Ela é jornalista e aspirante a escritora, mas por seu medo de fracassar ela perde muitas chances e oportunidades em elevar seus escritos a um patamar mais respeitado e reconhecido, o clichê da mulher insegura que não confia em ninguém e se vira sozinha.
Dois protagonistas bem independentes, vão ter um relacionamento bem conturbado, com muitos atritos, mas com muitas explosões amorosas e a tensão sexual é tão intensa que é quase palpável. É claro que tem muita pegação desses dois turrões.

Como de praxe super indico a leitura, bem divertida, com personagens bem intensos, trama previsível e bem gostosa de ler como é os romances da “Tia Nora Roberts”.

Quote:
“Para provar alguma coisa para alguém. Droga Lenore, faça alguma coisa para você. Por você.” Pág.: 229

sábado, 20 de maio de 2017

Opinião Sobre o Filme: A Chegada

 
Enredo:
Quando seres interplanetários deixam marcas na Terra, a Dra. Louise Banks (Amy Adams), uma linguista especialista no assunto, é procurada por militares para traduzir os sinais e desvendar se os alienígenas representam uma ameaça ou não. No entanto, a resposta para todas as perguntas e mistérios pode ameaçar a vida de Louise e a existência de toda a humanidade. 
Fonte: Adorocinema

Um filme que fala sobre relacionamentos, comunicação, a importância de ter a habilidade de se entender e comunicar que pode salvar o mundo e evitar grandes guerras e tragédias. Enredo que soube mesclar muito bem ficção científica com linguística.



As atuações deste filme são boas, mas acredito que a protagonista Louise, vivida pela Amy Adams, fez toda a diferença no filme. Uma protagonista forte, inteligente, muito gentil e pacifica que facilita muito em questão de comunicação.

Outras questões bem interessantes são abordadas no filme, não só linguagem como forma de existir e viver, como também luta pelo poder e o quanto pode dizimar uma raça usando de maneira egoísta, e nisso temos o questionamento de como usar este “poder” de forma altruísta o que acredito ser um dos sentimentos mais difíceis de lidar.

O diretor foi bem enfático também em mostrar o que nos torna humanos, que mesmo com erros e defeitos ainda somos pessoas que podem realizar atos de bondade e amor, que somos todo esse conjunto de contradições e cabe a nós escolher o melhor para os outros e para nós.

O que torna todo o filme bem complexo e o que nos aproxima destes personagens, desta condição de pavor é o pânico de ter 12 conchas em pontos estratégicos do planeta e não fazermos ideia do que estes extraterrestres querem e o que estão fazendo aqui, como se comunicar sem nos deixar indefesos. O que nos leva a reflexão de muitas pessoas numa situação aterrorizante, beirando a loucura de não saber lidar, desencadeando medidas desesperadas, e que este medo pode ser o causador de guerras e desgraças.

A produção de áudio deste filme é fantástica, não é a toa que o filme ganhou o Oscar 2017 de melhor edição de som. Usando um tipo sonoro que parece primitivo, que lembra o som de baleias e que ao mesmo tempo não parece deste mundo. Realmente não posso explicar, só ouvindo para entender. É claro que o filme tem sua carga dramática e nela a trilha foi bem sensível e triste, conectando com toda a dramaticidade da protagonista.



A Chegada é a adaptação de um conto de mesmo nome e título do autor Ted Chiang, por causa da estreia do filme no Brasil a editora Intrinseca lançou o livro que contém este conto. Um filme que indico a todos, por abordar temas tão importantes para nossa condição humana.

Ficha Técnica:
Título: Arrival 2016
Direção: Denis Villeneuve
Elenco: Abigail Pniowsky, Amy Adams, Anana Rydvald, Andrew Shaver, Forest Whitaker, Jeremy Renner, Joe Cobden, Julia Scarlett Dan, Julian Casey, Larry Day, Leisa Reid, Mark O'Brien, Max Walker, Michael Stuhlbarg, Nathaly Thibault, Pat Kiely, Philippe Hartmann, Russell Yuen, Ruth Chiang, Tzi Ma

Trailer:

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Opinião sobre o Filme: A Cabana


Enredo:
Um homem vive atormentado após perder a sua filha mais nova, cujo corpo nunca foi encontrado, mas sinais de que ela teria sido violentada e assassinada são encontrados em uma cabana nas montanhas. Anos depois da tragédia, ele recebe um chamado misterioso para retornar a esse local, onde ele vai receber uma lição de vida. Fonte Adorocinema

Faz muito tempo que li A cabana e posso dizer que assistir ao filme foi relembrar a leitura e afirmar que sua adaptação foi fiel e muito bem produzida.
A escolha do elenco não poderia ser melhor em suas atuações. A fotografia do filme é linda, de uma beleza tão incrível que se conecta perfeitamente com cada cena, cada emoção encenada.

O principal assunto deste filme é o perdão, o bem que faz pra quem é perdoado e mais ainda para quem perdoa. Acompanhar a jornada deste protagonista, Mackenzie Phillips, é uma montanha-russa de emoções. Em vários momentos você chora, sorrir e reflete pelo drama vivido por ele. No livro como no filme fala a importância de ter intimidade com Deus, o quanto ajuda a passar por situações tristes, mostrando aquele brilho de esperança em meio as trevas da solidão e tragédias.

Todo cristão vai se identificar e amar o filme, principalmente porque é mostrado o Deus Pai, Filho e Espírito Santo, suas particularidades e como são Uno! As suas representações são geniais. Deus Pai: como uma mulher negra, simbolizando o Grande Deus Pai/mãe da humanidade e que não faz acepção de pessoas não importando raça ou gênero.
Deus Filho: em forma de homem comum. Que veio ao mundo e passou pelas aflições de ser humano e foi fiel até o fim. Suas interações com o protagonista mostra que Jesus também foi humano e sabe o quão difícil é lidar com as emoções e sentimentos.
Deus Espírito Santo, representado por uma oriental, muito bonita, leve e complexa. Como cristã achei essencial passar a complexidade do Espírito Santo, que na minha opinião e de vários cristãos, é inexplicável, você apenas sente.

O filme finaliza igual ao livro, num ato de fé ao leitor/telespectador, que foi uma das melhores conclusões para o gênero. A sensação ao saímos de uma adaptação como esta, é de querer ser melhor como ser humano e que vale a pena ainda lutar pela bondade e pelo amor num mundo tão injusto e maligno. Ter fé e esperança em Deus que dias melhores virão.

Ficha Técnica:
Título The Shack (Original)2017
Dirigido por Stuart Hazeldine
Elenco: Amélie Eve, Aviv Alush, Carolyn Adair, Carson Reaume, Chris Britton, Derek Hamilton, Emily Holmes, Gage Munroe, Graham Greene, Jordyn Ashley Olson, Kathryn Kirkpatrick, Lane Edwards, Megan Charpentier, Nels Lennarson, Octavia Spencer, P.E. Ingraham, Radha Mitchell, Ryan Robbins, Sam Worthington, Sumire Matsubar

Trailer:
 

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Resenha: O Sol é Para Todos, Harper Lee

 Sinopse:
Um livro emblemático sobre racismo e injustiça: a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça.
O sol é para todos, com seu texto “forte, melodramático, sutil, cômico” (The New Yorker) se tornou um clássico para todas as idades e gerações. Fonte Skoob


Um livro que transmite ensinamentos para vida, principalmente para pais e mães.

A leitura começa na descrição do local, seus costumes da época, a vida pacata da cidade de Maycomb. A autora narra na visão da garotinha Scout, sempre mencionando uma situação no seu presente e com isso ela faz um gancho nos contando o passado de algum personagem, o que aconteceu na época da cidade, sutis digressões.
A escolha da autora em contar a estória através do olhar de uma criança sensibiliza a narrativa com sua inocência e vários questionamentos deixando a leitura muito mais fluida, sincera e delicada.
A narrativa procura aproximar bastante da nossa realidade, não faltando resoluções trágicas, consequências tristes de atos de covardia, maldade e falta de respeito que infelizmente é inerente ao ser humano.

Cada personagem não está ali por acaso, cada um tem sua importância durante a estória. A protagonista e narradora, Scout é uma menina inteligente, precoce e de certa maneira de temperamento forte. Uma das características da narradora é a paixão pela leitura, o que encanta o leitor ávido, a qual deriva de uma influência bem amorosa de seu pai. A Scout também narra situações bem engraçadas e outras bem tensas, ao lado de seu irmão Jem que está entrando na pré-adolescência e já demonstrando uma personalidade mais complexa. Os dois são orientados e educados pelo seu pai: Atticus Finch, advogado de uma certa idade, que sempre prefere dialogar, mostrar o melhor caminho para seus filhos ao invés de batê-los. Atticus consegue esclarecer o certo e o errado para seus filhos de forma a fazê-los obedecer, mas sem forçar respeito e sim ganhando-o pelo seu bom caráter e exemplo, não só como pai , mas também como pessoa na sua comunidade.
Outro personagem bem importante é a Sra. Maudie, mulher de vanguarda, inteligente, que sabe sua condição como mulher na sociedade machista, mas sabe conseguir respeito expondo sua opinião mediante a situações preconceituosas e injustas.
Boo Radley é um personagem bem importante que vai revelando seu caráter através de atitudes durante o livro.

Encontramos várias questões morais e sociais no enredo. Situações que chegam a ser bem atuais como: machismo, preconceito racial, desigualdade de classes, o fanatismo religioso, que infelizmente ainda hostiliza pessoas na nossa “sociedade moderna”. Em cada problema apresentado a autora soluciona de forma a fazer o leitor questionar bastante no que teria feito no lugar dos personagens, lições de caráter e dignidade são bem exemplificadas. Nas minhas reflexões sobre a leitura percebi o quanto a autora enfatiza o respeito ao próximo não importando raça, cor, gênero e idade. Que só podemos entender o outro quando nos colocamos no seu lugar, “calçando o sapato do outro”. Que viver em sociedade é respeitar o próximo como você quer ser respeitado. É um ensinamento antigo e que todo mundo esta cansado de ouvir, mas quase não há prática atualmente.

Um livro que faz diferença na vida de todo leitor e que merece ser lido e relido em várias épocas da vida, não importando a idade.


Quote:
“Eu não gostava de ler até o dia em que tive medo de não poder ler mais. Ninguém ama respirar”. Pág.: 29


Nota do Filme:

O filme é adaptação deste livro incrível, dirigido por Robert Mulligan em 1962 e ganhador de vários prêmios: 3 Oscars, 3 Globos de ouro entre outros. Uma adaptação que realmente soube passar toda a essência da estória das páginas para a telona. Com interpretações maravilhosas que repercutiram numa época em que se discutia e lutava-se pelos direitos civis.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Resenha: Escândalos na Primavera, Lisa Kleypas

Sinopse:
Daisy Bowman sempre preferiu um bom livro a qualquer baile. Talvez por isso já esteja na terceira temporada de eventos sociais em Londres sem encontrar um marido. Cansado da solteirice da filha, Thomas Bowman lhe dá um ultimato: se não conseguir arranjar logo um pretendente adequado, ela será forçada a se casar com Matthew Swift, seu braçaisy Bowman sempre preferiu um bom livro a qualquer baile. Talvez por isso já esteja na terceira temporada de eventos sociais em Londres sem encontrar um marido. Cansado da solteirice da filha, Thomas Bowman lhe dá um ultimato: se não conseguir arranjar logo um pretendente adequado, ela será forçada a se casar com Matthew Swift, seu braço direito na empresa.

Daisy está horrorizada com a possibilidade de viver para sempre com alguém tão sério e controlador, tão parecido com seu pai. Mas não admitirá a derrota. Com a ajuda de suas amigas, está decidida a se casar com qualquer um, menos o Sr. Swift.

Ela só não contava com o charme inesperado de Matthew nem com a ardente atração que nasce entre os dois. Será que o homem ganancioso de quem se lembrava era apenas fachada e ele na verdade é tão romântico quanto os heróis dos livros que ela lê? Ou, como sua irmã Lillian suspeita, o Sr. Swift é apenas um interesseiro com algum segredo escandaloso muito bem guardado?

Fechando com chave de ouro a série As Quatro Estações do Amor, Escândalos Na Primavera é um presente para os leitores de Lisa Kleypas, que podem ter certeza de uma coisa: embora as estações do ano sempre terminem, a amizade desse quarteto de amigas é eterna. Fonte: Skoob

 
Não é novidade que Lisa Kleypas é minha diva dos romances de época. Com maestria ela cria enredos empolgantes, insere culturas diversas e sabe criar personagens masculinos apaixonantes. A narrativa da autora sempre flui maravilhosamente bem, não é a toa que comecei o livro de manhã e só larguei às 3hs da madrugada, finalizando a leitura. Por ser o último livro da série “As quatro estações do amor”, fiquei com receio, mas minhas expectativas foram totalmente atendidas.

Neste quarto livro da série a autora apresenta a Daisy, última mocinha do grupo que precisa se casar, e aos 22 anos depois de temporadas sem sucesso em Londres, ela não consegue encontrar um pretendente londrino e nobre. Sendo bem excêntrica a norte-americana, Daisy se ver as postas de ser mandada de volta para EUA por seu pai, por não encontrar um marido nobre. Mas então chega da América o antigo empregado de seu pai, na verdade braço direito do Sr. Bowman: Mathew Swift, que anteriormente Daisy não suportava, mas ela já não o ver com tanta aversão atualmente.

Um dos melhores personagens da série é o Mathew Swift, ele tem ambição na medida certa e um senso de honra impecável. Ele sempre amou Daisy, mas nunca se achou digno dela, mesmo porque ele esconde um segredo e tem receio que este possa prejudicá-la. Diante disso, tem homem mais apaixonante? E é por isso que este personagem me cativou desde o início. O mistério em torno dele é revelado no final e foi muito gratificante como a autora conduziu a situação. Em meio a tanta desconfiança, maldade e corrupção que vivemos atualmente neste século 21, a autora me fez lembrar como era antigamente em que se tentava ao máximo acreditar no melhor das pessoas, nas mudanças para o bem, em que vale a pena acreditar nas pessoas e elas não te decepcionavam na maioria das vezes. Tal fato traz um certo brilho de esperança na humanidade e refletir que já fomos melhores.

O desfecho foi bem rápido, a solução também, para mim não prejudicou em nada porque a autora optou pela forma direta de conclusão, sem tanto “dramalhão” e sem enrolação. Série maravilhosa, que indico muito para leitores do gênero e para os românticos de plantão.

Quote:
“Sempre que você faz algo de bom ou faz alguém sorrir, isso dá sentido à sua vida. Nunca duvide de seu valor, minha cara. O mundo seria um lugar triste sem Daisy Bowman.” Pág.: 13

terça-feira, 28 de março de 2017

Bloomwood em Hollywood

Livro: Becky Bloom em Hollywood
Autora: Sophie Kinsella
Gênero: Chick-Lit/Romance
Editora: Record
Ano: 2015
Págs: 560
Sinopse: Los Angeles, reduto das celebridades mais famosas do mundo, de estilo de vida enlouquecedor e perdulário, cenário perfeito para que Rebecca Brandon (ex-Bloom) possa realizar suas fantasias mais glamorosas. E é para lá que ela e a família vão quando seu marido Luke é contratado para cuidar da carreira da famosa atriz Sage Seymour - e para Becky isso é um sinal de que ela está destinada a ser produtora de moda da badaladíssima celebridade e, quem sabe, também das maiores estrelas de Hollywood. Mas, assim que chega a LA, Becky descobre que sua rotina não será apenas de luxo e glamour. Alicia, uma rival do passado, também está na cidade. E o pior, é a queridinha das mães da concorridíssima pré-escola de Minnie. E o sonho de cuidar do look de Sage parece mais difícil do que ela imaginava. Até porque Luke vive adiando apresentar as duas. Então, por uma manobra do destino, Becky tem a chance de produzir a arqui-inimiga da atriz, e isso pode trazer alguns probleminhas. Pré-estreias, vestidos de gala, muitos paparazzi à sua volta, aulas de ioga e infinitas compras na Rodeo Drive. Claro que isso não acontecerá sem muitas encrencas e confusões. Será que Becky está mesmo perto de conseguir tudo o que sempre sonhou?


Tudo bem. Nada de pânico. Nada de pânico. E assim, começa mais uma aventura da série Becky Bloom, escrita por Sophie Kinsella. Mas, como não entrar em pânico se a shopaholic mais amada e engraçada, está em Hollywood! Sim, Becky nascida Bloomwood, agora Becky Brandon, está na terra da fama, garantindo doses nada modestas de gargalhadas e confusões, no glamouroso cenário de Hollywood!

Desta vez, Becky acompanha seu marido Luke, em uma nova fase de sua carreira profissional; Luke tornou-se consultor de uma badalada celebridade, e este fato é mais que suficiente para gerar insanas expectativas na cabecinha criativa de sua esposa.



Quem conhece a personagem sabe que, previsível e entediante são palavras que nem de longe a descrevem. Pois Becky é luz, simpatia e bom gosto, ou seja, Hollywood é seu sinônimo, um paraíso que abriga oportunidades, que ela não esta disposta a deixar escapar. Com a ideia fixa de tornar-se produtora de moda, uma energia vibrante e uma vontade inabalável, nossa especialista em compras, se envolve nas mais inusitadas situações.


A narrativa tem como foco, as extravagâncias consumistas de Becky, suas investidas para tornar-se famosa e reconhecida, a visita de sua melhor amiga Suze, que viaja de férias para Los Angeles com sua família, a possível reaproximação de Luke e sua mãe Elinor, e um iminente segredo guardado por seu pai desde a juventude, ou seja, a trama esta recheada de acontecimentos no melhor estilo Bloomwood inacreditável de ser.

O ponto forte da história é a comédia. Do início ao fim, você se depara dizendo: Não! Ela não fez isso! Ai meu Deus! Que vergonha! Porque são tantas as proezas de Becky, que é preciso tomar fôlego pra rir! O que por sua vez, torna a leitura leve, rápida e empolgante. Uma obra repleta de surpresas e reviravoltas, com passagens dignas de reconhecimento.

Por exemplo, a cumplicidade e amizade de Becky e Danny, agora um rico e famoso estilista, mas nem por isso menos presente, peculiar e irreverente, sempre disposto a ajudar a amiga, sem levar em conta a distância, ou os esforços empregados para isso. Suze e Bex, também protagonizam muitas cenas cativantes, mesmo quando brigam, as duas nos lembram o valor de uma companhia que nos anime e conforte, de alguém que conheça o nosso melhor e o pior, e que nos enfrente, na tentativa de nos proteger, de si mesmos.


Luke, também foi uma feliz surpresa. O personagem, que a princípio pode parecer distante e viciado em trabalho, revelou-se o marido mais compreensível e paciente. Por vezes ele apoiou as invenções da esposa, mostrou-se caloroso e amoroso ao tentar abrir seus olhos, além de ser um pai carinhoso e dedicado e um profissional ético e pé no chão. Apesar de algumas vezes Becky não merecer, Luke agia da maneira mais Ownt <3, deixando claro seus valores e o seu amor por a família.


Merecem destaque também, as hilárias cartas e emails recebidos por Becky, em resposta aos seus inúmeros devaneios. As correspondências são um toque sutil e bem humorado, e revelam por onde andam os pensamentos da protagonista.

Bem, quase tudo me agradou nesta leitura, mas um ponto não correspondeu ao que esperava. Como de costume, sabia que a protagonista de Kinsella, se perderia. Acontece que Becky, é daquelas que precisa ver, para crer. No entanto, alguns momentos foram realmente exaustivos; seu desejo irrefreado por fama é a principal fonte dos aborrecimentos, pois devido a isto, magoa e se torna relapsa com aqueles que mais ama, agindo de forma fútil e egoísta, traindo sua característica mais positiva, seu coração altruísta.


Com isso, não digo que Becky se torna má, jamais! Apenas, age de modo muito impulsivo, mesmo sabendo que está errada. Apesar de tudo, Becky exala um encantamento, capaz de espalhar sopros de vivacidade por onde quer que passe, modificando a vida das pessoas, tornando o impossível, possível, e uma leitura leve e despretensiosa, em uma bonita lição.

Ahhhh lembrando que Becky Bloom em Hollywood em seu desfecho nos deixa com um mistério, abrindo gancho para a continuação das aventuras em Becky Bloom ao Resgate oitavo livro da série.

Terminam por aqui as minhas impressões, lembrando que preferi salientar, os pontos que mais me chamaram atenção, pois se fosse englobar tudo seriam necessários inúmeros caracteres rsrsrs. O livro é recomendado, não apenas aos fãs da série, ou do gênero. Mas também, aos desejosos de fôlego, alto astral e experiências novas, livre de cobranças!


sábado, 25 de março de 2017

Resenha: Reparação, Ian McEwan

Até onde uma pequena mentira pode ser inofensiva? E quando agir por impulso traz consequências trágicas?

Sinopse:
 Na tarde mais quente do verão de 1935, na Inglaterra, a adolescente Briony Tallis vê uma cena que vai atormentar a sua imaginação: sua irmã mais velha, sob o olhar de um amigo de infância, tira a roupa e mergulha, apenas de calcinha e sutiã, na fonte do quintal da casa de campo. A partir desse episódio e de uma sucessão de equívocos, a menina, que nutre a ambição de ser escritora, constrói uma história fantasiosa sobre uma cena que presencia. Comete um crime com efeitos devastadores na vida de toda a família e passa o resto de sua existência tentando desfazer o mal que causou. 

É o primeiro livro que leio do autor e de início achei sua narrativa fluída, porém pela estória o livro exige que leia em doses homeopáticas por ser bem reflexivo e contado de vários pontos de vista. Na maior parte da estória temos o ponto de vista da Briony Tallis, uma menina nos seus 12 anos, muito inteligente, mimada, arrogante e precoce. Desde cedo Briony nos mostra o quanto é manipuladora e que com o tempo essa manipulação e crueldade consegue atingir muitos personagens de forma a mudar seus destinos.
Robbie é o melhor personagem desta estória, com seu senso de retidão, bondade e benevolência, um homem de bom caráter e que não mede esforços para fazer o correto, mesmo que isso o prejudique. De família humilde, Robbie é filho da empregada da casa dos Tallis e o patrão de sua mãe acredita que ele possa se dar muito bem nos estudos, o que acontece quando O Sr. Tallis paga todos os estudos de Robbie na faculdade como se fosse seu próprio filho. Cécilia, irmã mais velha de Briony, apaixona-se por Robbie e ele por ela. Como as diferenças sociais entre o casal são bem grandes e vários outros fatores(principalmente um causado por Briony) vão dificultar este lindo romance entre os dois.

A família Tallis é muito desestruturada que faz muita vista grossa no comportamento de Briony, Cécilia se ver na posição de mãe, já que a Sra. Tallis não quer e nem se esforça para assumi esse papel. E ainda temos Leon Tallis irmão mais velho que é totalmente alheio a família a não ser por se importa com Cécilia. As escolhas e ações de Briony faz o leitor refletir bastante até onde vai a maldade humana, não importando seu grau de inteligência, idade e condição social. Várias vezes fiquei pensando em quanta maldade e infinito sofrimento pode ser causado por um ato isolado de omissão, de medo, por não enfrentar as consequências de seus atos.

O livro também faz severas críticas as diferenças entre classes sociais. Que mais dinheiro, significa mais poder e este poder de influência pode destruir vidas e condenar inocentes a um destino cruel e muito injusto. O tratamento social desigual entre classes é gritante no livro, Robbie é uma pessoa humilde e pobre, porém muito inteligente e honrado, não tem as mesmas chances e tratamento que uma pessoa rica e de status elevados, mesmo essa pessoa rica tendo uma índole duvidosa, porque o conceito da sociedade geralmente afirma que “ricos e poderosos” não comentem atrocidades. Sei que este conceito tem mudado ultimamente nas pessoas, mas acredito que nem 10% foi feito ainda, por isso um livro muito atual.

Os vários pontos de vistas nos faz entender e refletir sobre cada um dos personagens, suas escolhas e motivações. É um livro com certa complexidade em seus personagens, que muda pessoas, inclusive eu fui um pouco mudada em certos aspectos pessoais. Livro mais que indicado, sendo necessário ao leitor.

Quote:
“Como pode uma romancista realizar uma reparação se, com seu poder absoluto de decidir como a história termina, ela é também Deus?"


Nota do Filme:

A adaptação para o cinema feita em 2008 é muito fiel ao livro, há algumas mudanças porque há passagens que funcionam melhor lendo que em ação. Mas a essência do livro, o que realmente o autor quis passar através de sua escrita está em todo filme.
As interpretações são maravilhosas não consigo ver outro ator vivendo Robbie senão o James McAvoy. A Cécilia está bem representada pela Keira Knightley, com sua leveza, bom senso, vanguarda e honra. A Briony foi interpretada pela Saoirse Ronan aos 13 anos, aos 18 com a Romola Garrai e idosa pela “Diva” Vanessa Redgrave. Posso afirmar que são interpretações de três atrizes sensacionais e mesmo gostando das atrizes continue odiando essa personagem detestável em todas as fases.
A trilha sonora por Dario Marianelli é espetacular, sensível, triste e muito bonita. Aquele ritmo feito no começo do filme com a máquina de escrever, batendo as teclas foi essencial para a atmosfera do filme e principalmente da personagem Briony, que tem fascínio por leitura e escrita, aspirante a escritora.
O filme foi concluído um pouco diferente do livro, mas só o caminho, porque sua finalização foi a mesma. Uma estória tocante, crível, triste, revoltante e muito emocionante.

Assista ao trailer:
Atonement, 2008

sábado, 18 de março de 2017

Resenha: Coraline, Neil Gaiman

“Há algumas portas que nunca deveriam ser abertas”.

A estória de Coraline começa bem comum, uma menina de aproximadamente 12 anos que se muda para um lugar mais pacato, isolado e pouco atrativo. Nossa protagonista não esta nada feliz com esta mudança.

Seus pais trabalham em casa e num dia chuvoso, que Coraline não pode brincar lá fora, ela começa a aborrecê-los por não ter o que fazer. Seu pai aconselha a explorar a casa, e na sua busca ela descobre uma pequena porta que aparentemente não leva a nada, mas esconde mistérios terríveis e é aí que Coraline começa sua aventura, que a medida que passa fica mais sombria e perigosa.

Através desta porta a protagonista é transportada para outro mundo, parecido com o seu, só que melhor, mais atrativo, divertido e delicioso. Mas este mundo não é tão bom assim quando ele se mostra de verdade e sua anfitriã revela sua verdadeira face.



Falando sobre a narrativa, achei bem fluida e sombria, não indico o livro para crianças abaixo de 8 anos, porque contém cenas sombrias e beirando a crueldade. Porém é um livro bem interessante para crianças um pouco mais velhas. Foi meu primeiro contato com o Neil Gaiman e foi uma ótima experiência que pretendo repetir lendo outros livros do autor.




Avaliando personagens, são bem rasos, mas que condiz com a proposta do livro. Coraline, a protagonista, tem o comportamento de uma criança entrando na adolescência, às vezes bem irritante e impertinente, mas no geral ela foi cativante e a personagem melhor explorada. Ao longo da leitura entendi suas escolhas, erros e a vontade de mudar e resolver os seus problemas, condições bem humanas.

Não posso deixar de mencionar seus vizinhos excêntricos, que rederam momentos engraçados: Mr. Bobo, um russo estranho que fala que treina um circo de ratos. E as senhoras que acreditam ainda serem jovens e belas (só que não).



O livro tem várias ilustrações, bem sombrias, que combina com toda a atmosfera da estória. Desenhos estes que colocam um certo “medinho” ao ler e acompanhar as ilustrações.



O livro deixa uma importante reflexão sobre dar valor ao que você tem, por mais pobre e chato que sejam seus pais, eles o amam e muitas vezes fazem muitos sacrifícios para proporcionar o melhor para seus filhos. Que as vezes não precisamos cobiça a grama do vizinho para ser feliz, mas sim melhorar seu próprio quintal, cuidando para que floresça também.



Quote:

… quando você tem medo e faz mesmo assim, isso é coragem. Pág.: 59





Nota do Filme:


Antes de ler o livro já tinha assistido ao filme e amado, é um caso que afirmo que a adaptação supera o original. Porque há muitas cenas que funcionam melhor como filme. Não que o livro seja ruim, ele é muito bom, mas o filme encantou muito mais.

Assista ao trailer: