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domingo, 27 de agosto de 2017

Nossas Noites

Nossas Noites de Kent Haruf

Ano – 2017.
Páginas – 160
Editora – Companhia das Letras
Gênero – Romance

Sinopse: Em Holt, no Colorado, Addie Moore faz uma visita inesperada a seu vizinho, Louis Waters. Viúvos e septuagenários, os dois lidam diariamente com noites solitárias em suas grandes casas vazias. Addie propõe a Louis que ele passe a fazer companhia a ela ao cair da tarde para ter alguém com quem conversar antes de dormir. Embora surpreso com a iniciativa, Louis aceita o convite. Os vizinhos, no entanto, estranham a movimentação da rua, e não demoram a surgir boatos maldosos pela cidade. Aos poucos, os dois percebem que manter essa relação peculiar talvez não seja tão simples quanto parecia. Neste aclamado romance, Kent Haruf retrata com ternura e delicadeza o envelhecimento, as segundas chances e a emoção de redescobrir os pequenos prazeres da vida que pode surpreender e ganhar um novo sentido mesmo quando parece ser tarde demais.
                                                                                                                                            Fonte: Skoob





Nossas noites é um livro com uma premissa surpreendente e inovadora, ao menos para esta leitora. Como revela a sinopse, certo dia, Addie bate a porta de seu vizinho Louis, com a seguinte proposta: que ao cair da noite, ele se dirija até a casa dela para que os dois passem as noites juntos. Sem malícia, sem segundas intenções, apenas porque aos 70 anos e viúva, Addie se sente solitária demais, com dificuldades até mesmo para dormir, caso que imagina ela, seja o mesmo de Louis, viúvo e vivendo sozinho.

Embora surpreso com a proposta e um tanto descrente, Louis curioso, decide aceitar. A partir de então, com a chegada da noite Louis põe seu pijama e sua escova de dentes em um saco e caminha até a casa da vizinha. Os dois passam a desenvolver aos poucos uma amizade que os enche de coragem e força para suportar as línguas maldosas e o preconceito da comunidade.



A construção da amizade e confiança entre o casal é encantador, noite após noite um descobre um pouco mais sobre o outro, compartilhando suas histórias de vida, com bom humor, e sensibilidade, possibilitando ao leitor conhecer os personagens na mesma medida em que a relação deles vai crescendo. É interessante a maneira sincera com que falam de seus erros e suas dores, dos pecados e mortes que tiveram que superar ao longo de 70 anos de vida, agora já maduros, munidos de segurança para revelar quem realmente são, sem se preocupar com aparências.


A narrativa expõe de maneira singela as dificuldades da velhice, a solidão e os comportamentos esperados de cada um, de acordo com a fase da vida em que se encontram. Mais personagens vão sendo inseridos no enredo e desta forma, conhecemos diferentes pontos de vista da velhice. Por meio de Ruth uma simpática senhora, temos a representação daqueles idosos que não tem família, que vivem sós e que até certo ponto perderam um pouco do apetite por viver, se isolando pouco a pouco.

Com os amigos de Louis, vemos a representação dos grupos de idosos que se unem, para socializar, para lembrar os velhos tempos ou apenas para fofocar. Com Louis e Addie, temos a representação daqueles que ainda querem viver, daqueles que querem provar para si mesmos que podem sim viver, experimentar, mesmo que isso signifique correr riscos.

Com o passar das páginas, conhecemos o filho e o neto de Addie que irão representar um papel importante na história, Gene o filho, passa por dificuldades de natureza pessoal e profissional e precisa que sua mãe cuide do neto Jamie por algum tempo. A partir deste ponto, vemos como os conflitos familiares exercem pressão sobre nós, sejamos crianças ou idosos.

Os protagonistas conseguem desenvolver uma relação amorosa e confiante com o garotinho Jamie, no entanto encontram preconceito e desconfiança em Gene, que se coloca no papel de controlar e limitar as ações de sua mãe, nos dando amargas demonstrações do quão ingratos e incompreensivos alguns filhos podem agir com seus pais.

Obviamente não revelarei aqui o final do livro e consequentemente o desfecho da história de Louis e Addie, me limito a dizer que o livro é sútil, sua história é tocante principalmente se nos imaginarmos no papel dos simpáticos velhinhos, e claro a narrativa já merece reconhecimento por tratar de um tema pouco comum, ao menos em minhas leituras. A linguagem é de fácil compreensão, os capítulos e o número de páginas são curtos, ou seja, tudo contribui para aquela leitura de uma sentada. E no final, você ainda fica com aquele gostinho de quero mais, quero ler mais, quero viver mais, quero conquistar uma boa velhice.



sexta-feira, 28 de julho de 2017

Resenha: O Eterno Namorado, Nora Roberts - Livro 2 da Trilogia A Pousada


Sinopse: Tudo o que acontece na vida de Owen Montgomery é meticulosamente organizado em uma planilha ou lista de tarefas. No trabalho não é diferente, e é graças a sua obsessão por ordem que a Pousada Boonsboro está prestes a ser inaugurada – dentro do cronograma.

A única coisa que Owen jamais previu foi o efeito que Avery MacTavish teria sobre ele. A proprietária da pizzaria em frente à pousada sempre foi amiga da família e agora, enquanto vê em primeira mão a fantástica reforma pela qual o lugar está passando, também observa a mudança gradativa de seus sentimentos por Owen.

Os dois foram namorados de infância, e desde então tinham estado bem distantes dos pensamentos um do outro. O desejo que começa a surgir entre eles, porém, não tem nada de inocente e é impossível de ignorar. Fonte skoob
 

Enquanto Owen e Avery decidem se render à paixão e levar seu relacionamento a um nível mais sério, a inauguração da pousada se aproxima e dá a toda a cidade um motivo para comemorar. Mas quando os traumas do passado de Avery batem à porta e a impedem de se entregar, Owen sabe que seu trabalho está longe de terminar. Agora ele precisa convencê-la a baixar a guarda e perceber que aquele que foi seu primeiro amor pode também ser seu eterno namorado.

Continuando a trilogia da Pousada Boonsboro, chegamos ao segundo livro, com foco no irmão Montgomery: Owen. Ele é um personagem bem metódico e que toda sua vida sai “de acordo com o plano”. Sendo advogado, ele cuida das papeladas e trâmites legais para o empreendimento da família. Os Montgomerys tem como vizinha de frente a pousada, a pizzaria Vesta que é regida por Avery, amiga antiga dos meninos Montgomerys. Avery é o completo oposto de Owen, ela é extrovertida, sempre está nos limites dos horários e prazos, sempre mais 5 minutos e é uma pessoa que não planeja tanto sua vida pessoal. Dona de um espírito aventureiro ela tem um ritmo acelerado e foi criada pelo pai Willy B., o qual foi amigo do falecido Tommy Montgomery.



Avery e Owen é um casal bem improvável e com muitas diferenças, eles tem química juntos, mas o leitor fica se perguntando se vai dar certo, porque o relacionamento deles é posto a prova constantemente. O passado de Avery com sua mãe é bem problemático e isso volta a tona em alguns capítulos, que acaba perturbando o casal. Owen também passa por altos e baixos, porque Avery não vive “de acordo com o plano”, ela realmente entra em sua vida para desestabilizar.

O interessante deste casal, que gostei muito, foi que eles são os melhores amigos, e o leitor acompanhar este relacionamento evoluir para um amor romântico e continuar a amizade e cumplicidade.

Como é uma família temos uma continuação do casal anterior e mais dos protagonistas do próximo livro. Em destaque de personagem secundário temos o pai de Avery, Willy B. Que se mostra um pai excepcional, e um homem bom que não guarda mágoa, disposto a perdoar para sua paz de espírito e tornar a vida mais fácil para todos.



A autora consegue amadurecer bem estes dois personagens, que foi o ponto alto de toda a trama, mostrando que só através do amor, diálogo e respeito duas pessoas podem conviver, apesar de suas diferenças. O livro também insere mais do sobrenatural, das estórias das “assombrações” do local, que fica bem instigante.



Um livro divertido, com uma carga dramática familiar bem crível e envolvente bem resolvida e personagens cativantes.


quinta-feira, 20 de julho de 2017

Resenha: Um Novo Amanhã, Nora Roberts - Livro 1 da Trilogia A Pousada


Sinopse:
A tradicional pousada da cidade de Boonsboro já viveu tempos de guerra e paz, teve diversos donos e até sofreu com rumores de assombrações. Agora ela está sendo totalmente reformada, sob direção dos Montgomerys, que correm para realizar a grande reinauguração dentro do prazo.

Beckett, o arquiteto da família, é um charmoso conquistador que passa a maior parte do tempo falando sobre obras, comendo pizza e bebendo cerveja com seus irmãos Ryder e Owen. Atarefado com a pousada, ultimamente nem tem desfrutado de uma vida social decente, mas pretende mudar logo isso para atrair a mulher por quem é apaixonado desde a adolescência.

Depois de perder o marido na guerra e retornar para Boonsboro, Clare Brewster leva uma vida tranquila cuidando de sua livraria e dos três filhos. Velha amiga de Beckett, ela volta a se reaproximar dele ao ajudar nos preparativos da pousada.

Em meio a essa apaixonante reconstrução, rodeados de amigos, Beckett e Clare passam a se conhecer melhor e começam a vislumbrar um futuro novo e promissor juntos.

Neste primeiro livro da trilogia A Pousada, Nora Roberts apresenta o romântico Beckett Montgomery, que, ao buscar realizar o sonho de sua família, acaba deparando com um amor que pensava estar esquecido.
FonteSkoob


Neste primeiro volume temos uma apresentação breve dos Montgomerys, em foco Beckett, que é o arquiteto que está desenvolvendo toda a planta e projeto da pousada. Ele é muito charmoso e conquistador, mas nunca deixou de amar Clare, uma bela mulher que na adolescência se apaixonou pelo amigo de Beckett e depois se casou e mudou-se da cidade, deixando Beckett Montegomery com o coração partido e fechado para o amor.
Com o passar do tempo Clare volta a cidade, mas agora viúva e com três filhos. Ela monta sua livraria e tenta continuar sua vida e das crianças, criando-as e superando sua perda.
Clare sempre teve um carinho especial com a família Montegomery, e Beckett faz seu coração bater mais forte, será que esses dois vão se acertar desta vez?


A autora começa esta série com um livro introdutório bem escrito, um casal crível e algumas subtramas bem instigante. Nora Roberts tem uma escrita fluida e cativante, que prende o leitor do início ao fim.


Seus personagens são bem construídos e críveis. Clare é uma mulher independente que depois da morte de seu marido, viveu seu luto, mas está recomeçando a viver de novo por ela e por seus três filhos, que também tentam superar a perda do pai. Ela é determinada, cuida de sua livraria na cidade e se reaproxima de Beckett, que se descobre se apaixonado novamente. Beckett, protagonista deste livro, se mostra um homem bem fechado, com certa dificuldade de lidar com seus sentimentos em relação à mocinha. Tentando lutar com suas dificuldades de demonstrar sua paixão, agarrando a chance que agora tem com a mulher que sempre amou.
Os personagens secundários são importantes para trama e temos introdução de cada um deles que serão protagonistas nos próximos livros, que são os outros dois irmãos Montegomery: Owen e Ryder e suas futuras amadas.
Com a reforma da Pousada, temos também um pano de fundo sobre a Batalha de Antietam
que realmente aconteceu nos EUA, a autora aproveita este fato histórico para inserir um romance fictício que aconteceu durante a guerra e que tem forte relação no local da pousada.


O romance tem um toque sobrenatural que acrescenta a estória. Cheio de romance, cenas picantes, carinhosas e bem família. Leitura boa, que aquece o coração.


Quote:
- Perfeito. Qual é o nome deste quarto?
- Elizabeth & Darcy.
- Ah, eu amo Orgulho e Preconceito. Como vocês vão… Não, não me conte. Assim nunca vou voltar para o trabalho.” Pág.: 42

domingo, 9 de julho de 2017

Resenha: O Perfume da Folha de Chá, Dinah Jefferies

Sinopse:
Em 1925, a jovem Gwendolyn Hooper parte de navio da Escócia para se encontrar com seu marido, Laurencek no exótico Ceilão, do outro lado do mundo. Recém-casados e apaixonados, eles são a definição do casal aristocrático perfeito: a bela dama britânica e o proprietário de uma das fazendas de chás mais prósperas do império. Mas ao chegar à mansão na paradisíaca propriedade Hooper, nada é como Gwendolyn imaginava: os funcionários parecem rancorosos e calados, e os vizinhos, traiçoeiros. Seu marido, apesar de afetuoso, demonstra guardar segredos sombrios do passado e recusa-se a conversar sobre certos assuntos. Ao descobrir que está grávida, a jovem sente-se feliz pela primeira vez desde que chegou ao Ceilão. Mas, no dia de dar à luz, algo inesperado se revela. Agora, é ela quem se vê obrigada a manter em sigilo algo terrível, sob o preço de ver sua família desfeita. Fonte
 

Com uma leitura fluida, a autora nos remete aos anos 1920 e 1930 com riqueza de detalhes de acontecimentos e costumes da época. Em suas pesquisas Dinah procurou escrever um romance com personagens críveis e atmosfera bem realística. Foi meu primeiro contato com sua narrativa que percebi ser bem sensorial, como gosto muito de chá parecia que o cheiro perfumava o ar durante a leitura.

Os personagens de sua trama são bem construídos, a autora quis colocar sempre um mistério em seus personagens. Laurence é um viúvo que se casa novamente, mas mantêm muitos segredos inclusive de sua esposa. Apesar de ser um marido amoroso e empresário bem-sucedido, ele tem umas atitudes que irritam, principalmente seu silêncio que atormentaram sua esposa e ao próprio leitor. Verity é a irmã de Laurence, e a pessoa mais egoísta, mimada, manipuladora e dissimulada de toda a estória, em cada capítulo que ela aparecia minha vontade era de esganá-la. Fran, amiga/prima de Gwen é uma pessoa bem otimista, independente e amorosa, uma personagem que o leitor se apaixona “a primeira lida”, porém ela tem um hiato na estória que só piora a situação de sua prima.
Gwen, a protagonista, chega de Londres bem jovem ao Ceilão, recém-casada e muito imatura tomando decisões sem pensar direito, movida por puro medo, desespero e preconceito. Essa é a parte que mais me incomodou durante a leitura. Demorei para finalizar porque o drama desta personagem é terrível e angustiante, que me emocionou muito custando a continuar a leitura, acredito ser esta a intenção da autora que mexeu comigo. Realmente é o drama dolorido que me fez refletir bastante sobre uma mulher na posição dela, naquela época. O leitor acompanha o amadurecimento de Gwen que vem de uma família rica e depois de se casar se ver nas difíceis situações que se envolve e acaba se desesperando o que torna sua vida bem complicada e infeliz, porém a protagonista é bem forte e tem muita vontade de viver, o que a ajuda no seu processo.

A estória traz muito a discutir, a posição da mulher nas décadas de 20 e 30 que ainda estavam engatinhando em suas conquistas, a questão da miscigenação de raças: brancos e cingaleses, tâmis, casamentos inter-raciais que na época, que se passa a estória do livro, não eram vistos com “bons olhos britânicos”, por causa de seus descendentes não serem fiéis a Coroa. Outra questão abordada foi o amor incondicional, aquele em que o sangue clama, que vai além da cor, aparência, raça, questões muito relevantes inclusive atualmente. A autora também escreve sobre mão de obra barata que se tem com pessoas de raças menosprezadas, as dificuldades de pessoas submetidas a supremacia dos brancos e ricos, as tentativas dos sindicatos (ainda bem nos primórdios) em conquistar condições dignas para esses trabalhadores, mal-remunerados que lutavam por sua sobrevivência.
Um sentimento que permeia muitos os protagonistas deste romance é a culpa e o medo numa dimensão que contagia o leitor, sentimentos bem difíceis de lidar, principalmente numa vida a dois. E nesta relação mostra a importância de quanto o diálogo é importante no casamento e quanto os segredos podem destruir pessoas, em especial os inocentes.

O perfume da folha de chá é um drama sofrido que indico a todos que gostam do gênero e àqueles que querem sair da zona de conforto dos romances românticos, porque este livro é de incomodar o leitor, com uma forma bem reflexiva e um desfecho bem conduzido e uma boa leitura.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Resenha: Segunda Natureza, Nora Roberts


Sinopse:
O magnetismo de Lee Radcliff é o suficiente para fazer com que Hunter Brown abra mão de uma vida excêntrica e reclusa para passar duas semanas acampando com ela. Na verdade, Lee deseja apenas uma entrevista com Hunter, um célebre escritor de romances de terror. Entretanto, após conhece-l o como homem, ela terá de optar entre publicar uma matéria exclusiva...

O livro foi sorteado da minha grande e imensa pilha (TBR) de livros para ler, e confesso que foi uma boa leitura de um livro comprado há dois anos.

Novamente a narrativa da Nora é envolvente, previsível e bem tórrida. Como o livro é de 1985, durante a leitura notamos a falta da modernidade do século 21, mas não desmerece a trama, levando em conta o ano que foi publicado. A leitura foi bem fluida, a autora colocou um dos protagonistas com um passado bem recluso, instigando o leitor querer saber mais, avançando na leitura. Este mesmo personagem recluso é escritor e a protagonista é leitora que também escreve e no decorrer da trama temos citações de livros e autores importantes, que torna a leitura mais agradável.
Hunter Brown é um personagem bem enigmático e misterioso, o clichê que eu e muitos leitores amamos, e aos poucos vamos conhecendo-o e compreendemos as razões dele viver desta maneira reservada.
Lee Radcliff, é a “pobre moça rica” que quer conquistar seu valor e posição as próprias custas, sem ser privilegiada pelo dinheiro ou nome da família. Ela é jornalista e aspirante a escritora, mas por seu medo de fracassar ela perde muitas chances e oportunidades em elevar seus escritos a um patamar mais respeitado e reconhecido, o clichê da mulher insegura que não confia em ninguém e se vira sozinha.
Dois protagonistas bem independentes, vão ter um relacionamento bem conturbado, com muitos atritos, mas com muitas explosões amorosas e a tensão sexual é tão intensa que é quase palpável. É claro que tem muita pegação desses dois turrões.

Como de praxe super indico a leitura, bem divertida, com personagens bem intensos, trama previsível e bem gostosa de ler como é os romances da “Tia Nora Roberts”.

Quote:
“Para provar alguma coisa para alguém. Droga Lenore, faça alguma coisa para você. Por você.” Pág.: 229

sábado, 20 de maio de 2017

Opinião Sobre o Filme: A Chegada

 
Enredo:
Quando seres interplanetários deixam marcas na Terra, a Dra. Louise Banks (Amy Adams), uma linguista especialista no assunto, é procurada por militares para traduzir os sinais e desvendar se os alienígenas representam uma ameaça ou não. No entanto, a resposta para todas as perguntas e mistérios pode ameaçar a vida de Louise e a existência de toda a humanidade. 
Fonte: Adorocinema

Um filme que fala sobre relacionamentos, comunicação, a importância de ter a habilidade de se entender e comunicar que pode salvar o mundo e evitar grandes guerras e tragédias. Enredo que soube mesclar muito bem ficção científica com linguística.



As atuações deste filme são boas, mas acredito que a protagonista Louise, vivida pela Amy Adams, fez toda a diferença no filme. Uma protagonista forte, inteligente, muito gentil e pacifica que facilita muito em questão de comunicação.

Outras questões bem interessantes são abordadas no filme, não só linguagem como forma de existir e viver, como também luta pelo poder e o quanto pode dizimar uma raça usando de maneira egoísta, e nisso temos o questionamento de como usar este “poder” de forma altruísta o que acredito ser um dos sentimentos mais difíceis de lidar.

O diretor foi bem enfático também em mostrar o que nos torna humanos, que mesmo com erros e defeitos ainda somos pessoas que podem realizar atos de bondade e amor, que somos todo esse conjunto de contradições e cabe a nós escolher o melhor para os outros e para nós.

O que torna todo o filme bem complexo e o que nos aproxima destes personagens, desta condição de pavor é o pânico de ter 12 conchas em pontos estratégicos do planeta e não fazermos ideia do que estes extraterrestres querem e o que estão fazendo aqui, como se comunicar sem nos deixar indefesos. O que nos leva a reflexão de muitas pessoas numa situação aterrorizante, beirando a loucura de não saber lidar, desencadeando medidas desesperadas, e que este medo pode ser o causador de guerras e desgraças.

A produção de áudio deste filme é fantástica, não é a toa que o filme ganhou o Oscar 2017 de melhor edição de som. Usando um tipo sonoro que parece primitivo, que lembra o som de baleias e que ao mesmo tempo não parece deste mundo. Realmente não posso explicar, só ouvindo para entender. É claro que o filme tem sua carga dramática e nela a trilha foi bem sensível e triste, conectando com toda a dramaticidade da protagonista.



A Chegada é a adaptação de um conto de mesmo nome e título do autor Ted Chiang, por causa da estreia do filme no Brasil a editora Intrinseca lançou o livro que contém este conto. Um filme que indico a todos, por abordar temas tão importantes para nossa condição humana.

Ficha Técnica:
Título: Arrival 2016
Direção: Denis Villeneuve
Elenco: Abigail Pniowsky, Amy Adams, Anana Rydvald, Andrew Shaver, Forest Whitaker, Jeremy Renner, Joe Cobden, Julia Scarlett Dan, Julian Casey, Larry Day, Leisa Reid, Mark O'Brien, Max Walker, Michael Stuhlbarg, Nathaly Thibault, Pat Kiely, Philippe Hartmann, Russell Yuen, Ruth Chiang, Tzi Ma

Trailer:

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Opinião sobre o Filme: A Cabana


Enredo:
Um homem vive atormentado após perder a sua filha mais nova, cujo corpo nunca foi encontrado, mas sinais de que ela teria sido violentada e assassinada são encontrados em uma cabana nas montanhas. Anos depois da tragédia, ele recebe um chamado misterioso para retornar a esse local, onde ele vai receber uma lição de vida. Fonte Adorocinema

Faz muito tempo que li A cabana e posso dizer que assistir ao filme foi relembrar a leitura e afirmar que sua adaptação foi fiel e muito bem produzida.
A escolha do elenco não poderia ser melhor em suas atuações. A fotografia do filme é linda, de uma beleza tão incrível que se conecta perfeitamente com cada cena, cada emoção encenada.

O principal assunto deste filme é o perdão, o bem que faz pra quem é perdoado e mais ainda para quem perdoa. Acompanhar a jornada deste protagonista, Mackenzie Phillips, é uma montanha-russa de emoções. Em vários momentos você chora, sorrir e reflete pelo drama vivido por ele. No livro como no filme fala a importância de ter intimidade com Deus, o quanto ajuda a passar por situações tristes, mostrando aquele brilho de esperança em meio as trevas da solidão e tragédias.

Todo cristão vai se identificar e amar o filme, principalmente porque é mostrado o Deus Pai, Filho e Espírito Santo, suas particularidades e como são Uno! As suas representações são geniais. Deus Pai: como uma mulher negra, simbolizando o Grande Deus Pai/mãe da humanidade e que não faz acepção de pessoas não importando raça ou gênero.
Deus Filho: em forma de homem comum. Que veio ao mundo e passou pelas aflições de ser humano e foi fiel até o fim. Suas interações com o protagonista mostra que Jesus também foi humano e sabe o quão difícil é lidar com as emoções e sentimentos.
Deus Espírito Santo, representado por uma oriental, muito bonita, leve e complexa. Como cristã achei essencial passar a complexidade do Espírito Santo, que na minha opinião e de vários cristãos, é inexplicável, você apenas sente.

O filme finaliza igual ao livro, num ato de fé ao leitor/telespectador, que foi uma das melhores conclusões para o gênero. A sensação ao saímos de uma adaptação como esta, é de querer ser melhor como ser humano e que vale a pena ainda lutar pela bondade e pelo amor num mundo tão injusto e maligno. Ter fé e esperança em Deus que dias melhores virão.

Ficha Técnica:
Título The Shack (Original)2017
Dirigido por Stuart Hazeldine
Elenco: Amélie Eve, Aviv Alush, Carolyn Adair, Carson Reaume, Chris Britton, Derek Hamilton, Emily Holmes, Gage Munroe, Graham Greene, Jordyn Ashley Olson, Kathryn Kirkpatrick, Lane Edwards, Megan Charpentier, Nels Lennarson, Octavia Spencer, P.E. Ingraham, Radha Mitchell, Ryan Robbins, Sam Worthington, Sumire Matsubar

Trailer:
 

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Resenha: O Sol é Para Todos, Harper Lee

 Sinopse:
Um livro emblemático sobre racismo e injustiça: a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça.
O sol é para todos, com seu texto “forte, melodramático, sutil, cômico” (The New Yorker) se tornou um clássico para todas as idades e gerações. Fonte Skoob


Um livro que transmite ensinamentos para vida, principalmente para pais e mães.

A leitura começa na descrição do local, seus costumes da época, a vida pacata da cidade de Maycomb. A autora narra na visão da garotinha Scout, sempre mencionando uma situação no seu presente e com isso ela faz um gancho nos contando o passado de algum personagem, o que aconteceu na época da cidade, sutis digressões.
A escolha da autora em contar a estória através do olhar de uma criança sensibiliza a narrativa com sua inocência e vários questionamentos deixando a leitura muito mais fluida, sincera e delicada.
A narrativa procura aproximar bastante da nossa realidade, não faltando resoluções trágicas, consequências tristes de atos de covardia, maldade e falta de respeito que infelizmente é inerente ao ser humano.

Cada personagem não está ali por acaso, cada um tem sua importância durante a estória. A protagonista e narradora, Scout é uma menina inteligente, precoce e de certa maneira de temperamento forte. Uma das características da narradora é a paixão pela leitura, o que encanta o leitor ávido, a qual deriva de uma influência bem amorosa de seu pai. A Scout também narra situações bem engraçadas e outras bem tensas, ao lado de seu irmão Jem que está entrando na pré-adolescência e já demonstrando uma personalidade mais complexa. Os dois são orientados e educados pelo seu pai: Atticus Finch, advogado de uma certa idade, que sempre prefere dialogar, mostrar o melhor caminho para seus filhos ao invés de batê-los. Atticus consegue esclarecer o certo e o errado para seus filhos de forma a fazê-los obedecer, mas sem forçar respeito e sim ganhando-o pelo seu bom caráter e exemplo, não só como pai , mas também como pessoa na sua comunidade.
Outro personagem bem importante é a Sra. Maudie, mulher de vanguarda, inteligente, que sabe sua condição como mulher na sociedade machista, mas sabe conseguir respeito expondo sua opinião mediante a situações preconceituosas e injustas.
Boo Radley é um personagem bem importante que vai revelando seu caráter através de atitudes durante o livro.

Encontramos várias questões morais e sociais no enredo. Situações que chegam a ser bem atuais como: machismo, preconceito racial, desigualdade de classes, o fanatismo religioso, que infelizmente ainda hostiliza pessoas na nossa “sociedade moderna”. Em cada problema apresentado a autora soluciona de forma a fazer o leitor questionar bastante no que teria feito no lugar dos personagens, lições de caráter e dignidade são bem exemplificadas. Nas minhas reflexões sobre a leitura percebi o quanto a autora enfatiza o respeito ao próximo não importando raça, cor, gênero e idade. Que só podemos entender o outro quando nos colocamos no seu lugar, “calçando o sapato do outro”. Que viver em sociedade é respeitar o próximo como você quer ser respeitado. É um ensinamento antigo e que todo mundo esta cansado de ouvir, mas quase não há prática atualmente.

Um livro que faz diferença na vida de todo leitor e que merece ser lido e relido em várias épocas da vida, não importando a idade.


Quote:
“Eu não gostava de ler até o dia em que tive medo de não poder ler mais. Ninguém ama respirar”. Pág.: 29


Nota do Filme:

O filme é adaptação deste livro incrível, dirigido por Robert Mulligan em 1962 e ganhador de vários prêmios: 3 Oscars, 3 Globos de ouro entre outros. Uma adaptação que realmente soube passar toda a essência da estória das páginas para a telona. Com interpretações maravilhosas que repercutiram numa época em que se discutia e lutava-se pelos direitos civis.